Vitrine de Curiosidades /38
Polvorinho Persa
Edifício de São Francisco | Memórias 4 de julho até 1 de agosto
Polvorinhos como este, elaborados com a pele dos genitais de camelo ou em couro de camelo moldado com essa forma, são característicos da Pérsia, nomeadamente de regiões que correspondem ao atual Irão, tendo esta tipologia com forma fálica surgido nos meados do século XVIII (século XII da era da Egira), entre as tribos da Pérsia oriental, estendendo-se o seu uso até ao início do século XX.
O material utilizado, por não produzir faíscas, revelava-se seguro ao fim a que se destina: o transporte de pólvora para o carregamento das armas. Por outro lado, sendo a guerra e a caça atividades estritamente masculinas, a sua forma manifesta aspetos da cultura tribal, dominante nesta região a partir do século XVIII, na qual o camelo e o simbolismo fálico associado à virilidade assumiam uma posição dominante em termos de léxico simbólico.
Este exemplar do século XIX, pertencente à Unidade de Gestão de Militaria e Armamento do Museu de Angra do Heroísmo, além de assumir a característica forma fálica, está, como habitualmente, decorado na sua superfície com gravações, neste caso motivos geométri- cos e figuras antropomórficas. Num ponto intermédio, uma pequena protuberância suporta uma argola de suspensão em ferro, de decoração simples por perfuração, que permitia suspender o polvorinho, no cinto ou no pulso, através de uma correia em couro.