Histórias de Viagens
Barca SMS 'Seeadler'

O SMS 'Seeadler' (águia do mar, em alemão) era uma barca de três mastros. Foi um dos últimos navios mistos a ser usado na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), onde serviu como navio mercante e de combate ao serviço da Marinha Imperial Alemã.
Originariamente chamada de Pass of Balmaha, foi construída na Escócia, em 1878. Era então um casco em aço de 1.571 toneladas e 245 pés de comprimento, encomendado por uma empresa de Boston.
Foi capturado por um submarino alemão, o SM 'U-36', no Mar do Norte, em circunstancias peculiares. Forçada a entrar no porto alemão de Cuxhaven, aos seus tripulantes americanos foi dado livre-trânsito para um porto neutral, graças à sua colaboração, mas navio tornou-se propriedade da marinha alemã.
Em 1916, os navios de guerra alemães estavam bloqueados pelos Aliados no Mar do Norte e os poucos que logravam passar não conseguiam reabastecer-se de carvão. Isto fez nascer a ideia de usar um veleiro, que não necessitaria de carvão. O rebatizado Seeadler, foi então equipado com um motor auxiliar, compartimentos escondidos, acomodações para tripulantes adicionais e prisioneiros, dois canhões ocultos de 105 mm, duas metralhadoras pesadas, também ocultas, e armas ligeiras para as abordagens.
No dia 21 de Dezembro de 1916, o navio zarpou sob o comando do Capitão Félix Von Luckner. Estava disfarçado como madeireiro norueguês e conseguiu enganar o bloqueio inglês, apesar de ter sido abordado para inspecção. Para isso, deve ter contribuído o facto de terem sido selecionados marinheiros que falavam norueguês. Durante 225 dias, o navio perseguiu e capturou quinze navios inimigos no Atlântico e no Pacifico, sem quase nunca ter usado as suas armas, provocando uma única vitima mortal e levando os navios ingleses e americanos a uma alegre perseguição.
A sua viagem terminou com o encalhe num recife numa ilha da Polinésia Francesa. Luckner e alguns tripulantes conseguiram navegar até às ilhas Fiji, onde foram aprisionados. A restante tripulação conseguiu capturar uma escuna francesa, a Lutece, de 126 toneladas, a 5 de Setembro de 1917. Rebaptizaram-na de Fortuna e navegaram até à Ilha de Páscoa, onde chegaram a 4 de Outubro. Aí acabaram por encalhar e foram internados pelas autoridades chilenas.
Este modelo encontra-se em reserva, sob a alçada da Unidade de Gestão Náutica e Aeronáutica do MAH.