Histórias de Viagens
Clipper Flying Cloud

O Flying Cloud, de 1851, foi o mais famoso dos 'clippers' “radicais” construídos por Donald McKay em Boston, encomendado por Enoch Train. Seis semanas depois de lançado à água, o navio velejou de Nova Iorque a São Francisco, via Cabo Horn, em 89 dias e 21 horas, sob o comando do Cap. Josiah Perkins Cressy. A 31 de Julho, durante a viagem, o navio fez 374 milhas náuticas em 3 dias. Em 1843, bateu o seu próprio record por 13 horas, uma marca que permaneceu imbatível até 1989, quando um veleiro constuido com essa finalidade, Thursday Child, completou a passagem em 80 dias e 20 horas. Nos primeiros tempos da corrida ao ouro da Califórnia, era preciso, em média, mais de 200 dias para um navio viajar de Nova Iorque a São Francisco, uma passagem de mais de 16.000 milhas.
O Flying Cloud, mais do que cortar o tempo a meio (apenas 89 dias), estabeleceu um record de referência mundial, que o próprio navio haveria de bater três anos depois, criando um novo record que perdurou por 136 anos.
O feito do Flying Cloud foi memorável sob qualquer prisma, mas foi ainda mais invulgar pelo facto do seu navegador ser uma mulher. Eleanor Cressy, esposa do capitão do navio que estudava as correntes oceânicas, fenómenos metereológicos e astronomia desde a infância, com o marido, acumulou milhares de milhas nos oceanos, navegando à volta do mundo, transportando passageiros e bens. Na esteira do estabelecimento do seu 'record' de Nova Iorque à Califórnia, Eleanor e Josiah tornaram-se instantaneamente celebridades. Contudo, a sua fama foi curta e a história rapidamente esquecida. Josiah faleceu em 1871 e Eleanor viveu longe do mar até à sua morte, em 1900.
Em 1862, o Flying Cloud foi vendido para navegar sob bandeira inglesa, sem mudança de nome, e, em pouco tempo, navegava entre o Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia. Os seus últimos tempos foram dedicados ao transporte de madeiras entre a Grã-Bretanha e St. John, no Canadá. No dia 19 de junho de 1874, o 'Flying Cloud' encalhou na barra de Beacon Island, na Terra Nova. Ficou irrecuperável e foi vendido. Um ano mais tarde, foi queimado para se aproveitar a sucata de metal e o poleame de cobre.
Este modelo encontra-se em reserva, sob a alçada da Unidade de Gestão Náutica e Aeronáutica do MAH.