Histórias com Pólvora
Falconete

Esta peculiar boca-de-fogo com a secção exterior octogonal, sem reforços, é característica da técnica de construção francesa das primeiras três décadas do século XVI. Na superfície superior da bolada, possui uma salamandra, o animal mágico que se acreditava resistente ao fogo, habitando na terra e na água, adotado por Francisco I de França, que o fez representar abundantemente nas suas casas senhoriais como o castelo de Fontainebleau e em Chambord, que aqui aparece encimada pela coroa real.
Francisco I marca o renascimento francês, assumindo grande intervenção nas letras e nas artes do século XVI, tendo sido, nomeadamente, patrono de Leonardo da Vinci nos últimos anos de sua vida, do que resultou a presença da obra Mona Lisa (La Joconde) em França.
Paralelamente, foi também o monarca da expansão francesa para o Novo Mundo e das guerras permanentes contra os Habsburgo. Apesar disso, quando viúvo, casou com D. Leonor de Áustria, viúva de D. Manuel I de Portugal e irmã de Carlos V (Habsburgo).
Gaspar Frutuoso, que se lhe refere como “sacre”, localiza-a no Forte de Santo António do Monte Brasil, com base na relação da artilharia mandada realizar pelo almirante castelhano D. Álvaro Bazán, em 1583. Tal informação é consistente com o local da sua recolha do fundo do mar na baía de Angra do Heroísmo, em 1996. Disparava pelouros de chumbo com cerca de 2 kg, podendo ter um alcance máximo de 1300 m.
Esta peça, patente na exposição Do Mar e da Terra… uma história no Atlântico, integra a Unidade de Gestão de Militaria e Armamento do MAH.