Histórias com Pólvora
Pelouro

As balas dos primeiros engenhos pirobalísticos (artilharia) terão sido em pedra e os canhões designados como “pedreiros” ou “de roca”, conforme destinados a disparar um único pelouro de pedra ou um saco de pedras miúdas.
Com o desenvolvimento das balas em ferro, os pelouros em pedra (e as rocas) continuaram a ser usados, sobretudo nas bocas-de-fogo de grande calibre por serem mais adequadas para derrubar muralhas nas operações de cerco.
Os pelouros em pedra, feitos em material com uma densidade semelhante ao da construção das muralhas, eram bem mais eficazes (desde que disparados a baixa velocidade para não esmilharem com o impacto) do que os pelouros em ferro, que ficavam incrustados nas muralhas, pouco contribuindo para a sua derrocada.
Com 16 centímetros de diâmetro e cerca de 20 quilos de peso, este pelouro de ferro que integra a Unidade de Gestão de Arqueologia do MAH, foi encontrado fortuitamente no topo da rua Conselheiro José Silvestre Ribeiro (perto da antiga Casa da Roda), aquando de trabalhos de colocação de cablagem elétrica, a 1 metro de profundidade. Esta localização permite enquadrá-lo numa época conturbada e determinante na história de Angra: a do início do cerco que ocorreu entre 1641 e 1642 à então Fortaleza de S. Filipe, na sequência da Restauração da Independência do reino de Portugal, tendo sido disparado para dissuadir os sitiantes.