Em Prol da Saúde
Aquário de sanguessugas

A sanguessuga é um animal invertebrado, semelhante a um verme, que pertence à família dos anelídeos e do qual existem cerca de 600 espécies. A mais comum é a sanguessuga medicinal, Hirudo medicinalis, que é aquática e, por isso, mantida em aquários como o que hoje se divulga.
Geralmente de cor escura, com cerca de 5 a 12 milímetros, as sanguessugas possuem duas ventosas, uma pequena na frente e outra maior na parte posterior. São usadas desde há milhares de anos em medicina, mas o seu uso vulgariza-se na Idade Média dada a adoção da teoria humoral galénica que associa a saúde ao equilíbrio de quatro humores, sangue, fleuma, bílis negra e bílis amarela, pelo que, em caso de doença, o primeiro, considerado o humor dominante, devia ser extraído, quer através de sangrias, quer pela aplicação de sanguessugas, tarefa realizada pelos barbeiros a quem competiam as práticas medicinais que implicavam o derramamento deste.
A sanguessuga suga o sangue do hospedeiro, mordendo a sua pele e encaixando uma ventosa na ferida. Uma vez fixa, segrega uma enzima anticoagulante (hirudina) para a corrente sanguínea, que impede a coagulação. O sangue acumula-se numa bolsa no sistema digestivo da sanguessuga, onde pode ser guardado durante vários meses.
Uma notícia no n.º 89 do periódico “Íris”, publicado em 1839, dá conta que se vendiam sanguessugas a 100 e 120 réis, na Botica do Hospital de Santo Espírito de Angra. Recentemente, as sanguessugas voltaram a ser utilizadas no pós-operatório de pacientes que tiveram membros reimplantados e nas cirurgias plásticas, uma vez que ao chupar o sangue incentivam a formação de novas veias que são difíceis de reconectar nas cirurgias. São também utilizadas no tratamento de edemas, ulcerações e varizes e na redução da dor da artrite. O interesse da utilização das sanguessugas reside, não tanto no sangue que é sugado pelo animal, mas no facto de o anticoagulante e o vasodilatador que segregam manter o sangue a fluir durante praticamente 10 horas, após terem sido retiradas do paciente, impedindo a acumulação do mesmo nos tecidos. Esta peça integra a Unidade de Gestão de Ciência e Tecnologia do Museu de Angra do Heroísmo.