Do Mar e da Terra … uma história no Atlântico assume-se como a principal narrativa expositiva do Museu de Angra do Heroísmo. Desenvolvendo-se
ao longo de quatro momentos, que vão da descoberta e povoamento das ilhas até à contemporaneidade da Região, pretende aprofundar a cultura e
história da Terceira e dos Açores, através das peças mais significativas e de maior valor da instituição. O projecto expositivo parte do papel
geoestratégico do arquipélago e articula-se com os planos supra-regionais do país e do Mundo, de forma a abranger outras dimensões tidas como
fundamentais para a compreensão da totalidade histórica e cultural desta ilha.
4 momentos expositivos:
- Momento 1
O Conhecimento das Ilhas dos Açores
- Momento 2
Angra, os Açores e o Mundo
- Momento 3
Da Capitania Geral ao Liberalismo
- Momento 4
A Formação do Contemporâneo
Desde 30 de março de 2011
Apresentação da Exposição por Helena Ormonde, directora do Museu de Angra do Heroísmo
Programa
5 minutos de cultura:
Exposição Do Mar e da Terra
Momento 1
O Conhecimento das Ilhas dos Açores
No início do século XV, o conhecimento do mundo é limitado e fragmentado, sendo a imagem medieval da Terra, baseada numa síntese de elementos bíblicos
e greco-latinos, ainda uma realidade.
Portugal – um espaço de cruzamento das civilizações cristã, islâmica e judaica, e um estado independente desde o século XII – começa a reforçar a sua
tradição marítima e piscatória e a criar condições para a Expansão Europeia dos séculos XV e XVI, fenómeno de abertura do Mundo e de globalização que
vai liderar.
A meados do século XV, já estão descobertas as primeiras sete ilhas dos Açores (1427), iniciando-se o seu povoamento em 1439. As Flores e o Corvo são
descobertas em 1452. No arquipélago, desenvolve-se uma economia baseada na cultura de cereais e na criação de gado, aliada ciclicamente a produções
orientadas para o mercado: o trigo, o pastel, a laranja e o leite.
A posição geográfica faz dos Açores uma base indispensável para a navegação marítima.
Momento 2
Angra, os Açores e o Mundo
No século XVI, Angra desenvolve-se como centro de apoio e de distribuição dos produtos vindos das carreiras das Índias Orientais e Ocidentais, num quadro
de construção de uma economia atlântica.
A riqueza gerada permite à cidade crescer com um plano urbanístico de cariz renascentista, registado pela famosa carta de Jan Huygen Van Linschoten e
que ainda hoje a caracteriza.
A importância de Angra e dos Açores, na conjuntura dos séculos XVI/XVII, ficou marcada pela pressão das potências marítimas do Norte e revela-se no
empenho de Filipe II em conquistar a ilha Terceira.
Momento 3
Da Capitania Geral ao Liberalismo
Nos cerca de 100 anos que separam a criação da Capitania Geral do fim das Lutas Liberais, os Açores sofrem mudanças que perduram e alteram profundamente
o viver insular.
A criação da Capitania Geral, em 1766, por proposta do Marquês de Pombal, com sede em Angra, corresponde à preocupação de reorganização do regime
político-administrativo, atribuindo vastos poderes ao Capitão General.
Por sua vez, o período conturbado das Lutas Liberais (1820-1834), com a instalação na ilha Terceira da Regência do Reino e a chegada de sucessivas
levas de emigrados seus apoiantes, ocasiona violentos confrontos com a população local, pois o meio social e cultural não é propício à adesão aos ideais
do Liberalismo.
Momento 4
A Formação do Contemporâneo
A vida açoriana não escapa à influência dos grandes acontecimentos dos séculos XIX e XX. Todos os movimentos que tiveram impacto no País e no Mundo
têm os seus reflexos nas ilhas.
A realidade social, económica e cultural caracteriza-se pelo predomínio do sector primário, a emigração, o atraso e a persistência dos sistemas e valores
tradicionais. Porém, os inventos que marcam a contemporaneidade chegam às ilhas e, a pouco e pouco, mudam o modo de viver insular.
As Ilhas Adjacentes ressurgem para uma nova época com o movimento revolucionário do 25 de Abril de 1974, consagrando-se pela primeira vez, na Constituição,
uma verdadeira Autonomia.
A importância estratégica dos Açores, decorrente da sua situação geográfica, torna-se especialmente evidente no século XX, devido aos conflitos mundiais,
durante os quais estas ilhas funcionaram de novo como ponto estratégico de controlo do Atlântico.